Chorei ao telefone. Chorei mais forte ao encerrar a ligação... Estou me permitindo sentir, deixar esvaziar.
Ai como eu queria me libertar dessa prisão, dessa força que me prende, dessa linha imaginária que nos liga...
Preciso ir, mas antes quero olhar bem, enxergar tudo o que perdi e tudo o que estarei ganhando em prosseguir. É muito cômodo ter alguém que nos aqueça sempre. Não quero mais essa comodidade, não agora! Quero sentir a liberdade dos meus movimentos, quero a leveza, a fluidez, o prazer de ser, simplesmente ser. Sinto falta de mim, senti tantas vezes... me perdi, me achei, me perdi, me achei, me perdi ... Quero encontrar um caminho, um apenas, que me leve a lugares mais suaves, amenos...
Eu nunca quis uma vidinha sem sabor, e dei grandes passos em busca da alegria, do prazer, da beleza, da poesia... mas nesse caminho eu os perdi, eles todos caíram da minha bagagem. Eu nem lembrava mais que os possuía. Esqueci quem eu era. Acho que congelei... congelei meus desejos mais profundos. Como quem adora comer mangas, e por não tê-las, inconscientemente esquece que existem, para não sofrer sua falta. Foi assim... agora estou lembrando de tudo e choro.
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